Este capítulo apresenta alguns dos conceitos chave deste livro – conceitos
que serão exemplificados e explicados repetidamente, em vários contextos,
e em mais detalhe nos capítulos seguintes. Alguns leitores poderão achar
que em certas alturas há uma repetição desnecessária, mas não me desculpo
por isso. O artigo“Decisions, Decisions” (New Scientist, 4 September
1999) explica porque é que as pessoas frequentemente utilizam estratégias
de decisão, incluindo a estratégia de preferir o que é conhecido e familiar
em vez do desconhecido. Isto dá respeitabilidade científica à suposição
dos publicitários de que a repetição torna algumas ideias familiares
e credíveis. As feministas têm-nos ensinado as suas ideias através da
constante repetição dos seus dogmas. Como professor, não posso fazer
mais que prestar-lhes homenagem à sua inteligência política, fazendo
eu próprio um pouco de repetição. No seu artigo, “The Women Are At
Fault” Matthias Matussek refere-se às mulheres modernas como “tagarelas
excitadas com conversas femininas de autopromoção”(1). Pergunta
ele, “Porque estão elas constantemente sentadas frente ao espelho da
Branca-de-Neve tranquilizando-se de que são as mais bonitas, as mais
espertas e as mais corajosas?” e sugere ”a atitude narcisística de se
colocarem ao espelho, com toda a sua patetice, faz parte do seu papel
de mulheres modernas, ao qual se sentem incapazes de escapar.”
Matussek refere-se também ao sentimento generalizado de que “as mulheres
estão a subir e os homens a descer.” Estes dois aspectos das sociedades
modernas, o narcisismo das mulheres e a sua ascensão relativamente aos
homens, estão estreitamente ligadas. Para entender este fenómeno, precisamos
de analisar os desenvolvimentos políticos e sociais desde a Segunda
Guerra Mundial.
Uma das principais consequências da Segunda Guerra Mundial foi a desacreditação
das políticas conservadoras e de direita, devido à derrota dos seus
proponentes mais extremistas (fascismo e nazismo). Qualquer política
promovida por Hitler, Mussolini, Nazistas ou Fascistas (mesmo que moderadamente
conservadoras) estão vulneráveis ao ataque devido à sua associação com
os “Bad Guys” (maus rapazes). A dicotomia Esquerda/Direita é de certa
forma artificial, o Nazismo é de certa forma uma extensão da ideologia
Socialista. No entanto, no senso comum o Nazismo é classificado como
sendo de direita e o Socialismo como de esquerda.
Em resposta, os nossos gurus (cinema, académicos e jornalista) dominaram
a segunda metade do século XX com as “lições” que acham que nós devemos
aprender da Segunda Guerra Mundial. Aparentemente, acreditam que a principal
lição é que, por definição, qualquer oprimido é bom, enquanto qualquer
opressor é mau. Não digo, claro, que estejam errados, mas devido a esta
obsessão com as atrocidades nazis, a moral dominante nas sociedades
ocidentais tornou-se uma pedra angular.
O virtuosismo dos oprimidos
Gerações de académicos e jornalistas disseram-nos que as mulheres são
as principais vítimas da opressão, e os homens os seus opressores. Com
o paradigma do pós-guerra, isto tornou todas as mulheres boas e todos
os homens maus. Esta história contada em alto e bom som produziu o culto
virtual da opressão, e apareceu uma escalada tremenda de vários sectores
da nossa sociedade a reclamarem para si próprios o estatuto de oprimidos,
e portanto de “bons”.
Ser-se classificado como oprimido dá todo tipo de benefícios. Primeiro,
garante uma cobertura mediática. Elementos conservadores dos Estados
Unidos podem ter retractado Anita Hill como uma oportunista pela pieguice
do seu testemunho sobre a forma como Justice Clarence Thomas: Not Guilty:
In Defence of the Modern Man, London:Weidenfeld and Nicholson a assediou
sexualmente, mas com isto ganhou uma notoriedade sem precedentes, para
não falar nos livros e filmes sobre si, e honorários de palestras que
atingiram valores superiores ao que muitos homens ganham num ano, apenas
por uma simples aparição. Quanto daria um de nós pela possibilidade
de uma opressão destas? Mas o mais importante, é que actualmente mesmo
a mulher normal pode aspirar a ser tratada como vítima em situações
que os homens não poderão.
Agora há pesquisas sobre este tipo de opressão, subsídios governamentais
de vária ordem e até a possibilidade de protagonizar um filme de Hollywood.
(apesar da crescente evidência de que a mulher comete mais violência
doméstica que o homem, não passa um mês que não apareça um filme novo
sobre um marido a bater na sua mulher, e os movimentos de protecção
às mulheres maltratadas a receberem subsídios governamentais.) Com tudo
isto quem não quer ser oprimido? Ou pelo menos reconhecido como tal.
Jornalistas conservadores, que continuam a ter influência nos Estados
Unidos, defendem o ponto vista no qual as mulheres feministas têm insistido,
isto é, o homem como chefe da casa a almoçar com clientes e pobre mulher
em tarefas de limpeza. Aqui eu argumento que não podemos avaliar este
ponto de vista conservador com sentido de justiça, a menos que vejamos
como as feministas reagem àquilo que eu chamo de ponto de vista “Masculinista
Liberal” (que não se confunda com “liberalismo”, em si) em que homens
e mulheres devem ser iguais em todos os assuntos, e não só nos assuntos
em que as feministas viram que se ajustavam aos seus propósitos de propaganda.
Hoje em dia o ponto de vista de que as mulheres são vítimas é tido como
facto, e vivemos numa cultura obcecada por este problema. A sociedade
gira em torno da mulher e das suas necessidades, com vários grupas feministas
determinando o que elas sentem e o que pode beneficiar a mulher como
um todo, ou um sector da população feminina em particular, ao ponto
de os problemas das crianças serem frequentemente submetidos a este
egoísmo e os dos homens completamente ignorados. Este é o seu poder,
o qual poucos políticos estão dispostos a opor-se por medo de serem
rotulados de “sexistas”.
Com os homens e a sociedade tão obcecados com os problemas das mulheres,
é perfeitamente natural para as mulheres, tal como uma criança filha
única de pais extremosos, tornarem-se ainda mais auto-obcecadas e narcisistas.
Se alguma girar em torno de nós, nós podemos girar também em torno de
nós próprios. Apenas o mais forte resiste.
O narcisismo feminino é parcialmente resultado do seu poder (ver capítulo
14). Mas é também a fonte do seu poder. Como as mulheres estão tão sintonizadas
com elas próprias, têm oportunidade de descobrir “necessidades” (pretensões)
que a sociedade (isto é, os homens) devem satisfazer. Reclamando sobre
todas as novas necessidades não satisfeitas cria-se maior evidência
da sua vitimização pelo homem, o que, por sua vez, reforça o seu poder.
A tese deste livro é que o estatuto de “vítimas da opressão” se ajusta
à situação dos homens pelo menos tão bem quanto à das mulheres, e que
os opressores dos homens são as feministas. É também sobre a exposição
das questões tendenciosas colocadas pelas feministas, e em menor extensão
a sugestão de outras questões que podem e devem ser colocadas.
Quem ganhou o poder?
Quer à esquerda, quer à direita, filósofos, políticos e ideólogos usam
com frequência o modelo de “homem de palha” para os oponentes às suas
ideias – é um modelo distorcido que pode ser mais facilmente atacado
que o objecto real. De modo similar as feministas usaram o modelo do
homem de palha do poder político, para dar ênfase ao poder dos políticos
e burocratas, para desviar a atenção dos reais bastiões do poder nas
democracias ocidentais. Mas esta ênfase foi mal colocada. É verdade
que os executivos tais como os políticos têm poder, mas este poder está
muito limitado por aqueles que controlam o fluxo de informação, de estereótipos
e de ideias na cultura popular.
Os jornalistas, pessoal de Hollywood, e investigadores que controlam a
informação e estereótipos e deste modo controlam decisões pensam estar
disponíveis. Joseph McCarthy tentou uma vez excluir de Hollywood os
simpatizantes comunistas. McCarthy falhou e as nossas simpatias voltaram-se
a favor daqueles cujas carreiras ele prejudicou. No entanto, apesar
do seu método cruel, teria sido ingénuo assumir que estava enganado
na sua análise. Hollywood, os meios de comunicação, e o sistema de educação
controlam ou pelo menos exercem uma grande influência naquilo que o
eleitorado político pensa que é correcto, realista e credível.
Estou a falar sobre os actuais trabalhadores destes campos (por exemplo,
jornalistas), não nos financeiros, que estão geralmente demasiado interessados
em fazer dinheiro para se importarem com a influência do conteúdo do
que é produzido pelos seus trabalhadores, e se é ou não imparcial. Mesmo
a imprensa que têm uma linha editorial mais conservadora nem sempre
insiste nas mesmas tendências noutras secções da sua publicação. Por
exemplo, um jornal diário matinal da Nova Zelândia periodicamente apresenta
artigos proeminentes sobre feminismo e políticas femininas em França.
O que torna isto notável é que é perfeitamente irrelevante para a maioria
dos neozelandeses, que na sua maioria, não estão minimamente interessados
na política francesa. Será isto um meio subtil de propaganda feminista?
Goebbels, o homem da confiança de Hitler preferiu usar analogias históricas
em vez de propaganda directa para ocultar a sua “arte”. Estarão as feministas
a usar um deslocamento geográfico para introduzir a sua propaganda,
do mesmo modo que Goebbels usou um deslocamento histórico para introduzir
a propaganda Nazi.
Em paralelo com o grau de controlo que as feministas exercem nos meios
de comunicação, está a dificuldade que alguns homens têm em descobrir
editores para assuntos de homens. Warren Farrell, autor de The Sensitive
Male, Why Men Are the Way They Are, e The Myth of Male
Power, foi deixado à deriva pela Simon&Schuster para encontrar
novo editor para o seu quarto livro, Women Can’t Hear What Men Don’t
Say depois de um editor feminista ter dado a machadada no seu projecto.
E Jack Kammer, autor de Good Will Toward Men, descobriu que os
editores estavam relutantes em editar If Men Have All the Power Why
Do Women Make the Rules porque temiam a reacção das feministas.
Como Evelyn Summerstein fez notar na publicação feminista, Bitch
(“Absolutely Capitalist,” Bitch, Vol. 3, No. 1, 1998), cerca
de 85% das pessoas que controlam a publicação de livros na América são
mulheres feministas.
A internet promete libertar-nos desta censura disfarçada, mas bibliotecários
e professores estão a trabalhar arduamente para o prevenir e reclamar
controlo sobre a informação antes de ser publicada na internet.
Alguns artigos, tais como “Testing the Surf: Criteria for Evaluating
Internet Information Resources” (Alastair Smith, The Public Access
Computer Systems Review 8, No. 3, 1997) argumentam que as pessoas
deveriam ser ensinadas a evitar locais da internet que
sejam “tendenciosas” e a preferir aquelas que tenham o cunho da “autoridade”
ou de “organizações reputáveis”. Isto só acontece com locais que
pertencem a bibliotecas e instituições de ensino. Bibliotecas e instituições
ligadas ao ensino são instituições predominantemente ocupadas por mulheres
e estas instituições normalmente ensinam o feminismo como facto e ignoram
os direitos dos homens.
Repare-se na bem conhecida jornalista e autora feminista, Susan Faludi.
De acordo com o autor da página web Femjour, “Faludi entende
que a função de jornalista é criar mudança social através da educação
das pessoas e ter tempo para investigar coisas. Um jornalista precisa
de se apaixonar pela causa”. Os jornalistas de esquerda estão frequentemente
comprometidos deste modo. Uma vez li um artigo no Guardian Weekly
sobre um novo ou reemergente partido de direita na Áustria que quis
restringir a imigração. Porque a imigração é um assunto fortemente emotivo
nos países de língua alemã, eu tive que ler cerca de metade do artigo
para encontrar alguma indicação das justificações que este partido dava
para a sua política – a primeira metade era pura retórica sobre o perigo
que este partido representava! O Guardian conta-se como um dos
jornais de “qualidade” em Inglaterra!
Quando leio o jornal inglês de esquerda liberal Guardian Weekly,
filtro tudo o que é tendencioso. Um dos seus subscritores, no entanto,
disse-me que o lia precisamente pelas suas tendências! Esta é o tipo
de pessoa que em Inglaterra é conhecida por um “leitor do Guardian”,
isto é, alguém com um conjunto de pontos de vista politicamente correctos.
Na década de 1970, em Auckland, Nova Zelândia, foi-me recusada a entrada
numa escola de jornalismo enquanto uma amiga marxista entrou. Explicou-me
ela que o meu erro foi ir de fato à entrevista – o júri estava à procura
de um jornalista para expedições e não um do tipo conservador. Como
consequência desta prática subtil, o ocidente está inundado de jornalistas
que foram seleccionados para os seus cursos ou empregos com base nas
suas tendências de esquerda.
Em 1997, submeti uma comunicação oral ao comité legislativo nacional,
que considerava algum projecto de legislação em matéria de guerra de
sexos(2). O assunto actual era o pagamento de subsídios a pessoas
(mulheres, na maioria dos casos) que eram consideradas vítimas de violência
doméstica. Eram consideradas candidatas a este subsídio mesmo que os
seus companheiros gozassem já de algum subsídio que fizesse que em condições
normais as impedissem de o receber. Em representação da minha associação,
fiz uma apresentação oral e escrita, sobre o tema do “Síndroma da mulher
violentada” no prefácio do Projecto de Lei. Enviei alguns resumos para
os meios de comunicação e quando vi algumas mulheres sentadas atrás
da sala do comité tirando notas, perguntei se estavam presentes alguns
membros dos meios de comunicação. Ninguém respondeu apesar de muitas
estarem a escrever.
Fizeram-se duas intervenções orais antes da minha, e pelo menos uma depois.
Apesar disto, apareceu um artigo no dia seguinte no único jornal matinal
da cidade descrevendo as actividades do comité como se tivesse havido
apenas uma submissão – de uma feminista. Isto dá uma ideia do que é
a pressão feminista. Nem um comentário ou crítica de qualquer espécie.
Obviamente, alguém do pessoal do jornal estava determinado em dar apenas
uma versão da história – a feminista. O jornal é conhecido pela sua
linha conservadora, mas esta linha não é obviamente seguida em todas
as secções do jornal.
O esforço combinado de duas associações neozelandesas e homens e pais
(New Zealand Men’s e Fathers’ Movement) conseguiram persuadir
o comité em eliminar o conceito de “Síndroma da mulher violentada”,
mas a Comissão Legislativa, tal como eu escrevi, está a tentar introduzi-lo
na lei da Nova Zelândia com outro nome.
Este processo de lavagem cerebral levado a cabo por meios de comunicação,
cinema, universidades e imprensa, não tem, no entanto que durar perpetuamente.
Apesar dos seus melhores esforços, a realidade pode fazer cair esta
montagem. Espero a chegada do dia em que este livro, tal como outros
acontecimentos no mundo seja uma linha divisória neste processo.
A União Soviética e o Pacto de Varsóvia já não existem, a China tem-se
declarado rica, e tem havido uma colossal agitação à direita nas políticas
económicas ocidentais. Países do Leste e Sudeste asiático têm também
ajudado a enfraquecer o estereótipo de que apenas os brancos podem ser
ricos (e portanto “maus”). A vitimização da mulher e o politicamente
correcto, tornou-se muito poderoso. Não desejo a sua destruição, mas
estou convicto de que atacando um dos seus pilares – o feminismo – enfraquecemos
o edifício completo.